A Europa descobriu que química também é soberania industrial

8 de maio de 2026
A Europa descobriu que química também é soberania industrial

A explosão das denúncias antidumping da União Europeia contra produtos químicos chineses mostra que a crise da indústria química europeia deixou de ser apenas um problema de competitividade e passou a ser uma questão estratégica.

Depois de anos pressionada por energia cara, excesso regulatório e avanço acelerado das importações asiáticas, a Europa começa a perceber que perdeu capacidade justamente em uma das bases estruturais da economia moderna. Diversos produtos químicos essenciais estão próximos de depender de um único produtor regional — ou simplesmente deixaram de ser fabricados localmente.

A indústria química é a “indústria das indústrias”. Ela está presente em praticamente tudo: embalagens, medicamentos, fertilizantes, construção civil, automóveis, eletrônicos, saneamento, alimentos e agricultura. Quando um continente perde capacidade química, perde também autonomia industrial, tecnológica e geopolítica.

O excesso de capacidade produtiva na China, ampliado após a desaceleração do setor imobiliário, vem pressionando os mercados globais com produtos a preços extremamente agressivos, enquanto Europa e outras regiões enfrentam dificuldades crescentes para manter suas plantas operando de forma competitiva.

O problema europeu vai muito além do comércio exterior. Trata-se de uma perda estrutural de competitividade frente a regiões com acesso mais barato a gás natural, etano e líquidos de gás natural, como Estados Unidos e Oriente Médio. O resultado aparece no fechamento acelerado de plantas, na redução de investimentos e no avanço da dependência externa em cadeias consideradas críticas para a economia.

Ao mesmo tempo, muitos transformadores europeus dependem dessas importações baratas para sobreviver, criando um dilema complexo entre preservar a indústria local e evitar aumento de custos industriais.

O Brasil deveria observar esse movimento com enorme atenção. A indústria química brasileira enfrenta pressões semelhantes: avanço das importações, elevada ociosidade, perda de competitividade e dependência crescente de produtos externos.

Nesse contexto, o REIQ (Regime Especial da Indústria Química), que reduz temporariamente a carga tributária sobre matérias-primas e insumos petroquímicos para preservar a competitividade da produção local, e o PRESIQ (Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química), criado para estruturar uma política industrial de longo prazo voltada à competitividade, inovação e descarbonização do setor, deixam de ser apenas instrumentos setoriais e passam a representar uma agenda estratégica de preservação industrial.

Porque quando uma cadeia química desaparece, não se perde apenas produção — perde-se conhecimento, empregos qualificados, capacidade tecnológica e soberania econômica.

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