Mais indústria química no Brasil, mais empregos no Brasil

23 de março de 2026
Mais indústria química no Brasil, mais empregos no Brasil

A recente redução de PIS e COFINS sobre insumos da indústria química e petroquímica, sancionada pelo governo federal, representa mais do que um ajuste tributário. Trata-se de uma decisão com implicações diretas sobre a estrutura produtiva do país — e, principalmente, sobre a geração de empregos.

Segundo a ABIQUIM, a indústria química ocupa uma posição estratégica na economia brasileira. Com cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos e um faturamento anual na ordem de US$ 167,8 bilhões, o setor está no centro de múltiplas cadeias produtivas — do agronegócio à indústria de transformação. Seu efeito multiplicador é relevante: cada unidade produzida reverbera ao longo de diversos segmentos industriais.

Nos últimos anos, no entanto, o setor perdeu competitividade. O aumento do custo de matérias-primas, especialmente gás natural e nafta, somado à pressão de importações, levou a um cenário de elevada ociosidade industrial. Em termos simples, o Brasil passou a produzir menos do que poderia — e, consequentemente, a empregar menos do que deveria.

É nesse contexto que o redesenho do REIQ (Regime Especial da Indústria Química) ganha relevância este ano. Ao reduzir a carga tributária sobre insumos estratégicos, o programa busca restabelecer condições mínimas de competitividade para a produção local. Não se trata de um benefício isolado, mas de um instrumento para reativar capacidade instalada e estimular a retomada da atividade industrial.

O PRESIQ (Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química) complementa essa agenda ao direcionar investimentos para modernização tecnológica, eficiência energética e redução de emissões. Em um ambiente global cada vez mais orientado por critérios de sustentabilidade, a competitividade industrial passa, necessariamente, pela capacidade de produzir com menor intensidade de carbono.

Mas há um fator que torna essa agenda ainda mais urgente — e menos teórica do que parece: a realidade geopolítica. A escalada recente envolvendo o Irã trouxe novamente à tona um ponto crítico do sistema global: o Estreito de Ormuz. Uma parcela relevante do petróleo, do gás e de matérias-primas essenciais para a indústria química mundial passa por ali. Não é uma hipótese distante — é um gargalo estrutural.

E isso não impacta apenas energia ou petroquímica. Impacta diretamente a base do agronegócio global: os fertilizantes. Nitrogenados, fosfatados e potássicos dependem de cadeias internacionais altamente concentradas e sensíveis a choques geopolíticos. O Brasil, uma potência agrícola, é ao mesmo tempo fortemente dependente da importação desses insumos. Ou seja: quando há tensão no Oriente Médio ou disrupções logísticas globais, o impacto não fica na indústria — ele chega ao campo, aos alimentos e, no limite, à inflação.

Se houver qualquer interrupção relevante nesse fluxo, o impacto é imediato: energia mais cara, insumos mais caros, fertilizantes mais caros, margens comprimidas e produção pressionada no mundo inteiro. E é exatamente nesse momento que a dependência externa cobra seu preço.

Países com base industrial forte absorvem melhor esses choques. Produzem insumos, ajustam cadeias e protegem seus empregos e sua segurança alimentar. Países dependentes importam inflação, escassez e instabilidade. Essa não é uma discussão sobre protecionismo. É sobre resiliência produtiva, energética e alimentar.

Mais do que números e políticas públicas, essa discussão tem uma dimensão concreta: pessoas. Ao longo da minha trajetória profissional, vivenciei diretamente o papel da indústria na geração de oportunidades. Me formei, comecei minha carreira em uma planta petroquímica e, ao longo do tempo, empreendi. Essa trajetória só foi possível porque havia — e precisa continuar havendo — uma base industrial capaz de formar, absorver e desenvolver talentos.

Empregos e oportunidades não surgem por acaso. Eles são construídos a partir de decisões de investimento, de políticas industriais consistentes e de um ambiente que favoreça a produção local. O Brasil se encontra diante de uma escolha. Em um mundo que disputa cadeias produtivas, segurança energética e segurança alimentar, depender excessivamente de importações não é apenas uma decisão econômica — é uma exposição estratégica.

Fortalecer a indústria química brasileira é, portanto, mais do que uma agenda setorial. É uma decisão de país. É exatamente aqui que o PRESIQ ganha relevância concreta. É mais do que um programa, ele é um instrumento para transformar intenção em execução — viabilizando investimentos, aumentando a eficiência e reposicionando o Brasil em uma indústria que será cada vez mais decisiva.

Trata-se de empregos qualificados. De oportunidades. E do futuro produtivo do Brasil.

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