O fim do "milagre" da captura de carbono? A indústria química precisa de um plano B

A captura e armazenamento de carbono (CCS) foi apresentada durante anos como uma das principais soluções para descarbonizar a indústria pesada. Mas essa narrativa começa a ser questionada.
Projetos enfrentam custos elevados, desempenho abaixo do esperado e forte dependência de incentivos governamentais. O resultado é que investidores e empresas estão revisando suas expectativas. A pergunta deixa de ser "quanto CO₂ conseguimos capturar?" e passa a ser "como produzir emitindo menos desde o início?"
Para a indústria química, esse debate é ainda mais relevante. Processos como a produção de hidrogênio, amônia, metanol e ureia geram CO₂ como parte da própria reação química. Nesses casos, o CCS continuará tendo um papel importante, mas dificilmente será a única resposta para a competitividade e a descarbonização.
O caminho mais consistente parece combinar gás natural competitivo, alta eficiência energética, integração industrial e maior aproveitamento do carbono gerado no próprio processo. Na produção de ureia, por exemplo, parte do CO₂ é utilizada como matéria-prima, reduzindo a necessidade de armazenamento e agregando valor ao carbono.
A transição energética não será vencida apenas com novas tecnologias. Ela será vencida pelos projetos que conseguirem integrar economia, eficiência operacional e redução de emissões.
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